FUNCIONALISMO: CADA VEZ MAIS MAL TRATADO II.
(Publicado pelo Tribuna das Águas)... “Temos ainda que suportar alguns pseudos aspirantes a políticos que fazem uso da tribuna para atacar e denegrir, indiscriminadamente, o Funcionário Público, pelo simples fato de gozar do prestígio de um cargo eletivo que, com toda certeza, os que neles votaram esperavam atitudes menos medíocres.”...
O parágrafo acima faz parte de texto que escrevi há um ano, mas é extremamente atual. Isso não se deve a uma suposta característica visionária e sim pela falta, escancarada, de comprometimento da bancada oposicionista com a população, eleitores e em especial com o funcionalismo de Lindóia.
Os Senhores Vereadores Artur, Helnes, Luiz Claudio e Adriano, numa demonstração incomum de cegueira social e de falta de respeito aos cargos que ocupam, omitiram-se e não compareceram ao plenário, apesar de se encontrarem nas dependências da casa, para votarem matéria que propunha reajuste salarial e isonomia no percentual do anuênio do funcionalismo municipal no dia 07 de Janeiro passado.
A dúvida agora é quanto à possibilidade por lei do executivo enviar nova proposta sobre a mesma matéria em um mesmo exercício ou se o Funcionário Público Municipal de Lindóia deverá aguardar 2012 para ter parte de seus direitos constitucionais atendidos. Essa leviandade colocou Lindóia no patamar mais baixo da moralidade política nacional, tornando-se o primeiro município que se tem notícia a ter IGNORADO um projeto de lei enviado pelo executivo que propõe aumento ao funcionalismo.
O que causa repúdio à estratégia oposicionista é a omissão. Não discutiram, não apresentaram contraproposta e muito menos ofereceram qualquer explicação durante o transcorrer da sessão.
Lindóia é reconhecida, nacionalmente, pela excelência em saúde e educação e figura entre as melhores cidades do estado e do país no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano, o IDH. Isto jamais seria possível sem o esforço e dedicação do funcionalismo e o Funcionário Público Municipal é um dos grandes responsáveis por esse sucesso.
São atendentes, enfermeiros, médicos, professores, merendeiras, inspetores, motoristas, telefonistas, pedreiros, tratoristas, monitores, agentes de trânsito, encanadores, eletricistas, serventes, escriturários, entre muitos outros profissionais que são pais, mães, filhos, noras, genros, cujas famílias dependem do resultado do trabalho dessas pessoas para terem atendidas suas necessidades básicas.
São mais de cinco mil lindoianos que dependem do trabalho desses homens e mulheres para usufruírem da qualidade de vida, muito acima da média, oferecida por Lindóia. São trezentos e quarenta e um funcionários e outras tantas famílias, atingidas diretamente.
Estes omissos senhores se preocupam em vir a público para prestarem contas ao munícipe, elencando uma série de requerimentos, no meu entender corretamente rejeitados na Câmara já que a Lei Orgânica é muito clara e permite que estes sejam dirigidos diretamente ao Diretor Municipal responsável. Todavia em dois anos de vereança não apresentaram um único projeto de lei para apreciação, um único sequer. Trazer verbas para o município então, nem pensar.
Vereadores em Lindóia trabalham em média quatro horas por mês e recebem salários de R$ 1.300,00, isso sem contar as diárias quando saem do município, ou seja, chegam a receber algo em torno de R$ 350,00 por hora trabalhada e se recusam a votar matéria para reajustar o salário do funcionário público que, em média, recebe salário de R$ 900,00 por uma jornada de 200horas/mês, equivalente a R$ 4,50 por hora trabalhada. Se considerarmos que a grande maioria ganha até R$ 650,00 por mês, temos a dimensão do efeito dominó produzido pela irresponsabilidade desses senhores. Um vereador custa o equivalente a 78 funcionários/hora
Todos nós fomos atingidos, funcionários, comerciantes, profissionais liberais..., já que não circulará um novo e significativo montante de recursos na economia local.
Sem denegrir a imagem do grupo humorístico eternizado por Didi, Dedé, Mussum e Zacarias, Lindóia já pode contar com as trapalhadas de seu próprio quarteto.
Gerson Vieira Prioste